Infraestrutura da Qualidade Brasil-Alemanha: o que Foi Debatido em Hannover e o que Muda para Fabricantes e Importadores Brasileiros

7º Encontro GPQI Brasil-Alemanha em Hannover 2026 — delegação com IEx Certificações

Índice

Resumo deste artigo

  • Em abril de 2026, a IEx Certificações participou do 7º Encontro Anual do GPQI — o Grupo de Trabalho Brasil-Alemanha em Infraestrutura da Qualidade — realizado em Hannover durante a maior feira industrial do mundo.
  • O encontro reuniu ministérios, reguladores, organismos de normatização e setor privado dos dois países para definir os padrões técnicos que vão reger o comércio bilateral nos próximos anos.
  • Quatro temas dominaram as discussões com impacto direto para fabricantes e importadores brasileiros: Passaporte Digital do Produto, regulamentação de IA, vigilância de mercado no e-commerce e Acordo UE-Mercosul.
  • O Passaporte Digital do Produto (DPP) — exigência da regulamentação europeia — vai requerer que produtos comercializados entre Brasil e Europa carreguem rastreabilidade completa de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva.
  • A certificação de produtos baseados em IA ainda não tem framework técnico consolidado globalmente — e o Brasil está na mesa onde esse framework está sendo construído.
  • A fiscalização de e-commerce será modernizada: produtos sem certificação que hoje chegam ao consumidor brasileiro via plataformas digitais terão escrutínio crescente.
  • Como OCP acreditado pela Cgcre/Inmetro, a IEx participou dessas discussões para trazer ao mercado brasileiro o que está sendo decidido — antes que chegue como exigência.

O que é o GPQI e por que o 7º Encontro Anual importa para o mercado brasileiro

O GPQI (Brazilian-German Working Group on Quality Infrastructure) é a plataforma bilateral formal de diálogo técnico entre Brasil e Alemanha sobre Infraestrutura da Qualidade — o sistema de metrologia, normalização, acreditação e certificação que sustenta o comércio seguro entre os dois países.

Participam do grupo ministérios, agências reguladoras, organismos de normatização (ABNT, DIN), organismos de acreditação (Cgcre/Inmetro, DAkkS), associações industriais e organismos de certificação de produtos dos dois lados. A 7ª edição do encontro anual, realizada em 22 de abril de 2026 em Hannover — durante a Hannover Messe, a maior feira industrial do mundo — trouxe à mesa os temas que vão definir os requisitos de conformidade dos próximos anos.

Marco Antônio Bucciarelli Roque, presidente da IEx Certificações, no 7º Encontro GPQI em Hannover 2026
Marco Antônio Bucciarelli Roque, presidente da IEx Certificações, no 7º Encontro GPQI em Hannover 2026

A IEx Certificações esteve presente por meio de Marco Antônio Bucciarelli Roque, Presidente da IEx e Vice-Presidente de Produtos da ABRAC, ao lado de representantes do Inmetro (Maurício Pereira — Coordenação Geral de Articulação Internacional/Caint), do Ipem-SP (Marcos Guerson — Superintendente), do Instituto da Qualidade do Futuro (Marcos Aurélio Lima), do IQA (Alexandre Xavier) e da PCN (Kim Rieffel).

Estar nessa mesa não é uma questão de prestígio — é a única forma de garantir que o Brasil não receba as normas prontas e sim que participe da sua construção. É com essa perspectiva que trazemos aqui o relato técnico do encontro, traduzido para o que importa para fabricantes e importadores brasileiros.

Os 4 temas que vão redefinir a Certificação de Produtos nos próximos anos

O 7º Encontro GPQI concentrou as discussões em quatro eixos temáticos com impacto direto e progressivo sobre a conformidade de produtos no mercado brasileiro e europeu. A tabela a seguir sintetiza cada tema e seu impacto prático:

TemaO que éImpacto para fabricantes e importadores BR
Passaporte Digital do Produto (DPP)Documento digital obrigatório com histórico de conformidade e rastreabilidade do produto ao longo de toda a cadeiaExportação para a UE exigirá DPP; importadores europeus no Brasil começarão a exigir o mesmo padrão
Certificação de IAFramework técnico para avaliar segurança, desempenho e ciclo de vida de produtos baseados em inteligência artificialProdutos com componentes de IA precisarão de certificação antes de chegar ao mercado — regras sendo construídas agora
Vigilância de e-commerceModernização dos mecanismos de fiscalização para alcançar produtos vendidos via plataformas digitais sem certificaçãoProdutos sem Selo Inmetro vendidos online terão escrutínio crescente — prazo para regularização
Acordo UE-MercosulHarmonização das exigências de qualidade e conformidade entre Brasil e Europa para reduzir barreiras técnicas ao comércioCertificação brasileira e europeia precisarão ser construídas de forma integrada — não sequencial
Os 4 temas do GPQI 2026 e o impacto para o mercado brasileiro. Fonte: IEx Certificações, 2026.
Os 4 temas do GPQI 2026 e o impacto para o mercado brasileiro. Fonte: IEx Certificações, 2026.

Passaporte Digital do Produto: a maior mudança regulatória dos próximos anos

O Passaporte Digital do Produto (DPP) é a exigência mais concreta e com prazo mais definido entre os temas do encontro. Estabelecido pelo Regulamento (UE) 2024/1781 (Ecodesign for Sustainable Products Regulation), o DPP determinará que produtos industrializados comercializados no mercado europeu carreguem um “documento digital” com o histórico completo de conformidade, sustentabilidade e rastreabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.

Na prática, cada produto precisará de um identificador único (QR code ou RFID) vinculado a um registro digital que documenta: origem dos materiais, processos de fabricação, certificações obtidas, dados de reparabilidade e informações de descarte responsável.

O encontro do GPQI incluiu uma demonstração ao vivo — realizada no espaço do Bundesministerium für Wirtschaft und Energie (Ministério Federal Alemão de Economia e Energia) — da conectividade UE-Brasil para o DPP: como um produto fabricado no Brasil pode ter seu passaporte digital reconhecido pelo sistema europeu, e vice-versa.

O que isso significa para fabricantes e importadores brasileiros:

  • Empresas que exportam para a Europa precisarão estruturar o DPP para suas linhas de produto — provavelmente a partir de 2026–2027 para as primeiras categorias (têxteis, eletrônicos, baterias)
  • Importadores europeus operando no Brasil tenderão a exigir o mesmo padrão de rastreabilidade de seus fornecedores brasileiros, mesmo antes de qualquer obrigação legal local
  • A certificação de conformidade emitida por um OCP acreditado como a IEx é um dos componentes que alimentará o DPP — o Certificado de Conformidade Inmetro torna-se dado estruturado do passaporte digital, não apenas documento isolado.

O Brasil não tem legislação equivalente ao DPP por enquanto — mas a participação no GPQI é precisamente o mecanismo pelo qual o país influencia como a rastreabilidade bilateral será implementada, evitando que o DPP europeu se torne uma barreira unilateral ao comércio.

Inteligência Artificial precisa de normas técnicas: quem vai garantir que Produtos de IA são seguros?

A certificação de produtos baseados em Inteligência Artificial é, dos quatro temas, o que está em estágio mais inicial — e o que oferece maior janela de influência para países como o Brasil.

O problema técnico é genuinamente novo: como avaliar a conformidade de um produto cujo comportamento pode mudar após a implantação (sistemas de aprendizado), cujos critérios de “segurança” dependem do contexto de uso, e cujo ciclo de vida inclui atualizações contínuas de software? Os frameworks existentes da família IEC 60601 (para equipamentos eletromédicos com componentes de IA) e os trabalhos em andamento da IEC/IEEE sobre inteligência artificial em sistemas de segurança funcional são os pontos de partida — mas ainda não há uma norma consolidada que dê ao mercado a previsibilidade que a certificação tradicional oferece.

O encontro debateu três questões centrais:

  • Segurança funcional de IA: como garantir que um produto baseado em IA não cause danos ao usuário, mesmo em situações não previstas durante o desenvolvimento — analogia com a norma IEC 61508 para sistemas eletrônicos de segurança.
  • Desempenho e transparência: como documentar o que um sistema de IA faz e em quais condições — requisito fundamental para que o OCP possa avaliar a conformidade.
  • Ciclo de vida e atualizações: o que acontece com a certificação de um produto quando seu software de IA é atualizado — o modelo de certificação tradicional (validade de 3 anos, sem alterações no produto) não se aplica diretamente.

Para organismos de certificação como a IEx, esse é um campo que está sendo construído agora — e cuja participação nas discussões normativas é o que determinará quem terá competência técnica para certificar esses produtos quando as primeiras normas forem publicadas.

E-commerce cresceu. A fiscalização ainda corre atrás — mas não por muito tempo

A explosão do comércio eletrônico criou uma lacuna regulatória que o mercado conhece bem: produtos sem certificação Inmetro chegam ao consumidor brasileiro via plataformas digitais com uma facilidade que a fiscalização física nos pontos de venda convencionais nunca permitiu.

O encontro do GPQI identificou esse tema como prioridade bilateral — tanto Brasil quanto Alemanha enfrentam o mesmo desafio com produtos importados via e-commerce que não atendem aos requisitos locais de segurança e conformidade. As discussões exploraram três abordagens complementares:

  • Responsabilização das plataformas: pressão regulatória para que marketplaces digitais verifiquem a conformidade dos produtos antes de permitir sua comercialização — modelo já avançado na regulamentação europeia com o Digital Services Act.
  • Vigilância por amostragem digital: uso de dados de vendas e identificadores de produto para priorizar fiscalização em categorias de maior risco — sem depender de inspeção física de cada unidade.
  • Cooperação bilateral: compartilhamento de informações de conformidade entre sistemas regulatórios de diferentes países para identificar produtos irregulares antes que entrem no mercado de destino.

A mensagem direta para fabricantes e importadores que operam no e-commerce: a janela de tolerância regulatória para produtos sem certificação em plataformas digitais está se fechando. O custo de regularização agora é uma fração do custo de recolhimento de lotes ou proibição de comercialização depois.

Acordo UE-Mercosul: certificação europeia e brasileira precisam caminhar juntas

O Acordo UE-Mercosul — em processo de ratificação — abre perspectivas de redução de barreiras tarifárias entre Brasil e Europa. Mas as barreiras não tarifárias — especificamente as técnicas, representadas por requisitos distintos de certificação — têm potencial de ser obstáculo mais significativo do que as tarifas em si.

Uma sessão dedicada do encontro discutiu como a Infraestrutura da Qualidade pode facilitar o comércio bilateral — e como o GPQI funciona como o mecanismo de cooperação que previne que cada país construa requisitos de conformidade incompatíveis.

O ponto estratégico para fabricantes brasileiros com visão de exportação: construir conformidade europeia junto com a brasileira não é mais uma vantagem competitiva — está se tornando requisito. Empresas que aguardam a ratificação formal do acordo para iniciar a adequação chegam ao mercado europeu com desvantagem de 2 a 3 anos em relação a quem começa agora.

A IEx, como OCP acreditado, acompanha os desdobramentos do acordo e as normas bilaterais que emergem dessas discussões para orientar fabricantes e importadores nas decisões de conformidade com impacto de médio e longo prazo. Conheça os escopos de certificação de eletrodomésticos, bens de informática e equipamentos eletromédicos que a IEx já certifica conforme normas aplicáveis nos dois mercados.

Por que a IEx participa dessas discussões — e o que isso significa para seus clientes

A presença da IEx no GPQI não é protocolar. É operacional.

Cada tema debatido em Hannover vai se traduzir, em algum momento entre 2026 e 2030, em novos requisitos de certificação que vão afetar fabricantes e importadores brasileiros. A diferença entre um OCP que participa dessas discussões e um que não participa é a diferença entre antecipar e reagir.

Em mais de 10 anos de operação como OCP acreditado, o padrão que observamos é sempre o mesmo: empresas que iniciam o processo de certificação cedo — quando a norma ainda está em discussão, não quando a portaria já entrou em vigor — chegam ao mercado com vantagem competitiva real. As que aguardam chegam correndo, pagando mais e com menos controle sobre o resultado.

O 7º Encontro GPQI foi uma oportunidade de garantir que o Brasil — e os fabricantes e importadores que a IEx representa no processo de certificação — não receberão as normas de amanhã como fato consumado.

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Perguntas Frequentes

O que é o GPQI e como ele afeta o mercado brasileiro?

O GPQI é o grupo de trabalho bilateral formal entre Brasil e Alemanha para alinhar sistemas de qualidade, normatização e certificação. Suas recomendações influenciam diretamente os requisitos de conformidade para produtos comercializados entre os dois mercados.

O Passaporte Digital do Produto já é obrigatório no Brasil?

Não — o DPP é uma exigência europeia (Regulamento EU 2024/1781), sem legislação equivalente no Brasil ainda. Fabricantes que exportam para a Europa precisarão cumprir o requisito europeu a partir de 2026–2027, dependendo da categoria de produto.

Como a certificação de produtos com IA vai funcionar?

Ainda não existe framework normativo consolidado globalmente. O que está definido é que produtos de IA que afetem a segurança do usuário precisarão de avaliação de conformidade — os critérios exatos estão sendo construídos agora nos comitês da IEC/IEEE.

O Acordo UE-Mercosul já afeta minha certificação atual?

Não diretamente — o acordo ainda está em ratificação. Mas as decisões de harmonização técnica sendo tomadas agora no GPQI vão moldar as obrigações de conformidade finais, e empresas que iniciam a adequação hoje chegam preparadas.

O que foi debatido em Hannover chega ao Brasil — e você precisa estar pronto antes

Os quatro temas do 7º Encontro GPQI — DPP, certificação de IA, vigilância de e-commerce e Acordo UE-Mercosul — têm em comum uma lógica que a experiência da IEx confirma repetidamente: as exigências regulatórias que parecem distantes hoje chegam ao mercado brasileiro sempre mais rápido do que o planejado.

A pergunta relevante para fabricantes e importadores não é “quando isso vai me afetar?” — é “minha empresa vai estar preparada quando chegar, ou vai estar correndo para se adequar?”

A IEx Certificações está disponível para orientar sua empresa sobre como os desdobramentos do GPQI afetam seus produtos específicos e o que pode ser feito agora para antecipar os requisitos que vêm por aí.


Artigo publicado em 22 de Maio de 2026. | Atualizado em 22 de Maio de 2026. Conteúdo produzido por IEx Certificações — OCP acreditado pela Cgcre/Inmetro Para mais informações, acesse iexcert.org.br

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